Principais grupos de abelhas brasileiras¹

FamíliaSubfamíliaTriboSubtriboGêneroNº de espécies no BrasilNotas
Andrenidae63As espécies desta família nidificam no solo e algumas vivem em colônias.
Oxaeinae10É um grupo pequeno de espécies robustas que ocorre apenas nas regiões tropicais e subtropicais das Américas. Aparentemente, todas as suas espécies são solitárias.
Panurginae53Reúne abelhas minúsculas a médias, sendo especialmente diversificada nas Américas. A maioria de suas espécies é solitária, mas algumas são comunais. Uma porcentagem expressiva das espécies é especializada na coleta de pólen de grupos restritos de plantas.
Calliopsini7Ocorre apenas nas Américas e constitui um dos grupos mais derivados dentro de Panurginae.
Protomeliturgini1Protomeliturga é a única abelha de língua curta cujo palpo labial apresenta morfologia semelhante àquela encontrada nas abelhas de língua longa.
Protandrenini45Ocorre apenas nas Américas.
Apidae844É a mais diversificada e comum das famílias de abelhas, com ampla distribuição em todos os continentes do globo.
Apinae705Ocorre em todo o mundo, sendo um grupo muito diversificado, morfológica e comportamentalmente.
Anthophorini2É mais comum no Velho Mundo, embora ocorra também nas Américas; é rara, entretanto, nos trópicos americanos. Suas abelhas são grandes, robustas e pilosas, nidificam no solo e são todas solitárias.
Apini298Reúne abelhas pequenas a grandes cuja principal característica morfológica é a presença da corbícula nas fêmeas. A presença de algum nível de organização social é característica de todas as subtribos e colônias de organização complexa ocorrem em todas as espécies das subtribos Meliponina, Apina e Bombina (exceto as espécies de Psithyrus, que são parasitas sociais).
Apina1É mais diversificada nas regiões tropicais da Ásia e África e era restrita ao Velho Mundo até que A. mellifera fosse introduzida nos demais continentes para a produção comercial de mel.
Bombina6Reúne as mamangabas sociais. Apesar de ocorrer em todo o mundo (exceto Austrália), é um grupo especialmente bem adaptado aos climas frios, estando melhor representado na região holártica, principalmente Eurásia.
Euglossina107É um grupo amplamente distribuído na região neotropical, ocorrendo do norte da Argentina ao sul dos Estados Unidos. Ocorre em diferentes biomas, mas é mais diversificado nas florestas úmidas. Reúne abelhas grandes e robustas que comumente apresentam colorido metálico vivo. Uma característica marcante das espécies desta subtribo é o fato de seus machos coletarem substâncias aromáticas, geralmente produzidas em flores de Orchidaceae, Araceae, Gesneriaceae ou Solanaceae mas, também, por fungos e outras fontes.
Meliponina184Reúne as chamadas ‘abelhas indígenas sem ferrão’, entre elas a jataí, a mandaçaia e a irapuá. Esta subtribo é representada por várias centenas de espécies em todas as regiões tropicais do mundo, bem como nas regiões subtropicais do hemisfério sul. Todas as suas espécies são eussociais, embora algumas delas vivam de alimento roubado a colônias de outras espécies.
Aparatrigona1
Camargoia3
Cephalotrigona2
Duckeola2
Friesella2
Frieseomelitta9
Geotrigona10
Lestrimelitta7
Leurotrigona2
Melipona36
Mourella1
Nannotrigona7
Nogueirapis2
Oxytrigona3
Paratrigona16
Partamona923?
Plebeia16
Ptilotrigona3
Scaptotrigona8
Scaura3
Schwarziana2
Schwarzula1
Tetragona8
Tetragonisca2
Trichotrigona1
Trigona19
Trigonisca9
Centridini99Restringe-se às regiões tropicais das Américas, com alguns grupos presentes (e até restritos) a áreas mais secas nas regiões subtropicais e temperadas. Contém abelhas médias a grandes, robustas e pilosas, com bonitos padrões de cores. A maioria de suas espécies nidifica no solo, freqüentemente em grandes agregações, mas alguns grupos utilizam-se de orifícios na madeira para esta finalidade. Todas as suas espécies são solitárias. Centridini é um dos grupos de abelhas cujas fêmeas coletam óleo produzidos nas flores de plantas de famílias como Malpighiaceae e Krameriaceae.
Emphorini25É exclusivamente americana, distribuindo-se da Argentina e Chile até ao Canadá, sendo mais diversificada nas regiões temperadas da América do Sul e menos diversificada nas regiões tropicais. Ela contém espécies robustas, pequenas a grandes, muitas das quais são especialistas na coleta de pólen de grupos específicos de plantas (principalmente nas famílias Asteraceae, Cactaceae, Convolvulaceae, Malvaceae, Onagraceae e Pontederiaceae). Seus ninhos são construídos no solo ou em barrancos e todas as suas espécies são solitárias.
Ericrocidini25Ocorre apenas nas Américas, com maior diversidade na região amazônica. Reúne abelhas médias a grandes, às vezes com bonitos padrões metálicos devido à iridescência do integumento ou de pêlos escamiformes. Suas espécies aparentemente parasitam apenas os ninhos de espécies de Centridini, tribo a que provavelmente estão proximamente relacionadas.
Eucerini109Distribui-se por todos os continentes, menos Austrália, estando melhor representada nas Américas. Contém abelhas robustas e pilosas, médias a grandes. As espécies desta tribo constróem seus ninhos no solo e a grande maioria é solitária, embora algumas vivam em ninhos comunais.
Exomalopsini21É um grupo preponderantemente neotropical mas com alguns grupos bem diversificados em regiões semidesérticas da América do Norte. Reúne abelhas pequenas a médias, robustas e peludas. Nidificam no solo, podendo ser solitárias ou não. Os ninhos de várias espécies de Exomalopsis abrigam muitas fêmeas e, aparentemente, são parassociais.
Isepeolini3Restringe-se à América do Sul, com maior diversidade na Argentina e Chile. Reúne abelhas pequenas a médias, com tomento definindo manchas claras e escuras no metassoma. Todas as espécies seguramente hospedeiras de Isepeolini pertencem ao gênero Colletes (Colletidae). Suspeita-se, entretanto, que outros grupos, incluindo Caupolicana (Colletidae), possam também ser parasitados.
Osirini32As espécies européias de Epeoloides já estudadas são parasitas dos ninhos de Macropis (Melittidae), enquanto as neotropicais parecem ser todas parasitas dos ninhos de Tapinotaspidini.
Protepeolini4Ocorre da região temperada da América do Sul até aos desertos da América do Norte. Contém abelhas pequenas a médias, com tomento formando padrões distintos de manchas claras e escuras no metassoma. Suas relações filogenéticas não estão esclarecidas mas, por parasitarem apenas ninhos de Emphorini, é possível que estas duas tribos sejam estreitamente relacionadas.
Rathymini9Esta tribo está restrita às regiões tropicais das Américas, do Brasil ao México. Contém apenas um gênero, Rhathymus. Tem sido sugerido que estas abelhas são estreitamente relacionadas aos Centridini e também aos Ericrocidini mas, por parasitarem apenas ninhos de Epicharis, é possível que sejam mais estreitamente relacionadas a Epicharis do que a Centridini como um todo.
Tapinotaspidini58É exclusivamente neotropical. Suas espécies são notórias coletoras de óleo em flores de plantas de famílias como Malpighiaceae. A maioria das espécies sobre as quais há alguma informação nidifica no solo. Algumas Paratetrapedia, entretanto, utilizam orifícios pré-existentes na madeira. Pelo que se sabe, são todas solitárias.
Tetrapediini20Contém abelhas pequenas e esguias, pouco pilosas, restritas às regiões tropicais das Américas. Suas espécies não parasitas (gênero Tetrapedia) são todas solitárias e nidificam em orifícios na madeira. Elas utilizam óleo coletado nas flores de certas plantas misturado ao pólen, como alimento para suas larvas. Este óleo tem função, também, na cimentação de partículas de areia para a construção das células nos ninhos. O outro gênero da tribo, Coelioxoides, contém apenas espécies cleptoparasitas dos ninhos de Tetrapedia.
Nomadinae38É um grupo de abelhas cleptoparasíticas aparentemente bastante antigo, dada a sua grande diversidade, tanto morfológica quanto de hospedeiros. Estas abelhas ocorrem em todo o mundo, sendo mais diversificadas no oeste da América do Norte, onde nove tribos estão presentes, e praticamente ausentes da Austrália, onde apenas o gênero Nomada está presente.
Brachynomadini6É um pequeno grupo de distribuição anfitropical, sendo mais diversificado nas regiões temperadas semidesérticas da América do Sul (Argentina e Chile) e América do Norte (sudoeste dos Estados Unidos e México). Entre os hospedeiros conhecidos encontram-se espécies de Exomalopsini, Panurginae e Paracolletinae.
Caenoprosopidini1Reúne abelhas pequenas (4–8 mm), com pilosidade plumosa, curta e decumbente. Seus hospedeiros conhecidos são espécies de Arhysosage e Callonychium.
Epeolini23Esta tribo é mais diversificada no Novo Mundo, em particular na América do Sul. São cleptoparasitas de uma grande gama de hospedeiros, incluindo espécies de Colletes e Ptiloglossa (Colletidae) e Eucerini (Apidae).
Nomadini8É um grupo muito grande e diversificado, com aproximadamente 800 espécies descritas. Parasitam uma grande gama de hospedeiros, incluindo espécies de Exomalopsis (Apidae), Andrena (Andrenidae) e Agapostemon (Halictidae).
Xylocopinae101Ocorre nas regiões tropicais e subtropicais de todos os continentes, com algumas espécies presentes nas regiões temperadas e com maior diversidade no hemisfério oriental. Alguma forma de comportamento social ocorre em espécies de todas as tribos, com duas ou mais fêmeas compartilhando ninhos, dividindo tarefas e, às vezes, com castas comportamentais distintas. Uma característica biológica interessante, comum a todos os membros desta subfamília, é o fato de suas células não receberem nenhum revestimento.
Ceratinini51Contém abelhas pequenas e esguias, com pouca pilosidade e que escavam seus ninhos na medula de ramos finos ou em ramos apodrecidos. Aparentemente, todas as suas espécies são solitárias.
Xylocopini50É mais abundante nas regiões tropicais e subtropicais, tanto no hemisfério oriental (onde sua diversidade é maior), quanto no hemisfério ocidental. As abelhas desta tribo são robustas e grandes, e nidificam na madeira (exceto as do subgênero paleártico Proxylocopa, que nidificam no solo). A maioria das espécies provavelmente é solitária, mas várias são facultativamente sociais, constituindo colônias parassociais. O gênero Xylocopa reúne mais de 700 espécies, das quais cerca de 50 ocorrem no Brasil.
Colletidae102Ocorre em todo o mundo mas é mais diversificada e abundante no hemisfério sul, especialmente na Austrália. Tem sido considerada tradicionalmente como o mais antigo grupo de abelhas. Sua língua bilobada (ou bífida), como as das vespas, é considerada evidência de sua posição basal dentro do grupo. Uma característica distintiva presente em grande parte dos táxons que compõem a família é a substância semelhante ao celofane que estas abelhas secretam e utilizam para forrar as células de seus ninhos. Não se conhecem espécies sociais na família.
Colletinae12Michener (1989) reconhece apenas dois gêneros dentro deste táxon. O primeiro, Mourecotelles Toro & Cabezas, 1977, ocorre apenas nas regiões temperadas da América do Sul, não estando representado no Brasil. O outro, Colletes Latreille, está presente em todo o mundo, exceto Austrália.
Diphaglossinae28Está presente apenas nas Américas. Reúne abelhas grandes e robustas, muitas das quais voam apenas imediatamente antes do nascer do sol ou imediatamente após o por do sol. É o único grupo de Colletidae em que as larvas tecem um casulo ao passarem ao estádio de pupa.
Caupolicanini24Ocorre em toda a América, do Chile e Argentina até o Arizona.
Dissoglottini4Ocorre principalmente nas florestas tropicais e subtropicais, do norte da Argentina ao México. A biologia de suas espécies é pouco conhecida; aparentemente, sua atividade de vôo restringe-se ao final da tarde.
Hylaeinae19Está representada em todo o mundo mas apenas na fauna australiana é um elemento abundante e diversificado. Junto com Euryglossinae, tem sido tradicionalmente considerada o grupo mais primitivo de abelhas, pelo fato de suas fêmeas não possuírem escopa e carregarem pólen no papo. As análises de Alexander & Michener (1995), entretanto, sugerem que a ausência de escopa nessas abelhas talvez seja um caráter derivado. Essas abelhas nidificam em gravetos e ramos ocos e, ocasionalmente, em orifícios em barrancos; podem também reutilizar células vazias de ninhos de vespas ou construirem suas células em galhas de Lepidoptera.
Paracolletinae37No seu sentido mais estrito, isto é excluindo Scrapter (um grupo presente exclusivamente no sul da África), Paracolletinae ocorre apenas na Austrália e América do Sul, com uma espécie atingindo o sul dos Estados Unidos.
Xeromelissinae6É um grupo restrito às Américas. Embora melhor representada no Chile e regiões adjacentes, sua distribuição estende-se até ao México. Apesar de sua semelhança com Hylaeinae e Euryglossinae, as fêmeas de Xeromelissinae possuem escopas no fêmur e nos três primeiros esternos abdominais que, apesar de pouco desenvolvidas, são efetivamente utilizadas para o transporte de pólen. Seus ninhos são construídos em raminhos ocos de plantas e em galerias escavadas por larvas de besouros em ramos ou em madeira.
Halictidae264Ocorre em todo o mundo, reunindo abelhas pequenas a médias, normalmente esguias e relativamente comuns. A maioria das espécies nidifica no solo, mas algumas constróem seus ninhos em madeira morta. A família apresenta espécies com todos os níveis de organização social, do solitário ao eussocial primitivo.
Halictinae263É a subfamília mais diversificada de Halictidae, estando representada em todos os continentes. Nesta subfamília, pode ser observada uma série de gradações entre o modo solitário de vida e comportamento eussocial. A socialidade evoluiu várias vezes independentemente em ambas as tribos e, também, foi perdida repetidas vezes. No caso das espécies sociais, existe divisão em castas entre as fêmeas de um ninho e podem ser observadas diferenças comportamentais e fisiológicas, havendo, contudo, muito pouca diferenciação morfológica, exceto por diferenças de tamanho. Em contraste com outros táxons de abelhas de língua curta, os Halictinae deram origem a vários grupos de espécies cleptoparasitas.
Augochlorini195É um grupo principalmente neotropical, com a distribuição de alguns gêneros se estendendo até o sul do Canadá. Todos os gêneros possuem representantes na América do Sul, apesar de parte deles encontrar-se limitada às regiões de clima mais temperado do continente. Várias de suas espécies são muito comuns no Brasil. Em geral, são pouco pilosas e apresentam coloração metálica brilhante, freqüentemente verde mas, às vezes, azulada, avermelhada ou acobreada. Provavelmente, a maioria das espécies é solitária mas algumas são comunais, semissociais ou eussociais primitivas. As espécies já estudadas nidificam no solo, exceto pelas de Augochlora s. str. e Megalopta, que constróem seus ninhos em madeira em decomposição.
Halictini68É representada por muitas espécies em todos os continentes. É mais diversificada na região paleártica, ocorrendo também na África, Austrália e nas Américas. A região neotropical é onde se observa a menor diversidade da tribo. Halictini reúne espécies solitárias, comunais e muitas espécies eussociais primitivas.
Rophitinae1Reúne abelhas geralmente raras, morfologicamente especializadas, que nidificam no solo e coletam alimento em um número restrito de plantas. Não se conhecem espécies sociais em Rophitinae. É um grupo com distribuição principalmente na região holártica, com diversidade máxima no norte do México e no sudoeste dos Estados Unidos.
Megachilidae294Fideliinae é um grupo com distribuição disjunta, presente em regiões semi-áridas da Ásia, África e América do Sul (ausente no Brasil).
Megachilinae294Este é um grupo muito grande de espécies que ocorre em todo o mundo. As abelhas desta subfamília possuem duas características distintivas: as fêmeas de todas as suas espécies não parasitas carregam pólen apenas no abdome, em uma escopa ventral, e utilizam-se de material coletado fora dos ninhos para construção de suas células de cria, principalmente pedaços de folhas e resinas vegetais.
Anthidiini91Ocorre em todo o mundo, embora com diversidade e abundância locais freqüentemente não muito expressivas. Fêmeas de Anthidiini constróem células expostas sobre rochas, ramos ou folhas ou em cavidades pré-existentes. Para isto, cimentam pedaços de folhas, pedrinhas ou tricomas com resina. A maioria de suas espécies é solitária mas algumas são coloniais. A tribo contém, ainda, alguns gêneros parasitas.
Lithurgini5É mais diversificada nas regiões semi-áridas temperadas da América do Sul mas é representada por um pequeno número de espécies em todos os outros continentes. As espécies desta tribo escavam seus ninhos em madeira morta, podre ou, às vezes, em esterco seco de gado. A maioria aparentemente é solitária mas algumas são comunais.
Megachilini198É uma tribo bem representada em todos os continentes. As fêmeas de suas espécies utilizam-se principalmente de folhas cortadas para a construção de suas células, embora as de alguns grupos utilizem-se, também, de barro para esta finalidade. Seus ninhos podem ser construídos no solo ou em orifícios na madeira. A maioria das espécies é solitária, mas algumas são comunais. Um gênero, Coelioxys, reúne apenas abelhas parasitas, principalmente dos ninhos de Megachile.

Fonte: Silveira, F.A.; Melo, G.A.R.; Almeida, E.A.B.; Zagonel, M.F.S. 2002. Abelhas Brasileiras: sistemática e identificação. Belo Horizonte, edição dos autores.

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