Grupo identifica 10 espécies ameaçadas em montanhas do leste do Brasil

Lenheiro-da-serra-do-cipó (‘Asthenes luizae’), no Parque Nacional das Sempre-Vivas, Diamantina, MG Diego Hoffmann /UFMG

Lenheiro-da-serra-do-cipó (‘Asthenes luizae’)

Mudanças climáticas em áreas montanhosas do leste do Brasil ameaçam a sobrevivência de 10 espécies de aves, que, mesmo em altitudes superiores a 800 metros, não estão imunes a ações antrópicas.

Projeção matemática indica a redução, até 2070, da área de adequabilidade ambiental dessas espécies em até 94%. O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Diego Hoffmann, ornitólogo da Universidade Federal do Espirito Santo, Marcelo Vasconcelos, ornitólogo da PUC Minas, e pelo professor e ecólogo Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.

No artigo O destino das aves endêmicas do topo das montanhas do leste brasileiro em face das mudanças climáticaspublicado na revista internacional Perspectivas em Ecologia e Conservação, os pesquisadores mostram que cinco regiões montanhosas destacadas como cruciais para a conservação dessas espécies de aves estão sob forte pressão da ação humana: a porção centro-norte do estado da Bahia, na região da Chapada Diamantina, o conjunto de montanhas no norte de Minas Gerais e no sul da Bahia, o norte da Serra da Mantiqueira, entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o maior bloco da porção centro-sul da Cadeia do Espinhaço e um pequeno conjunto de áreas elevadas isoladas no oeste do Espírito Santo, em particular a Serra do Caparaó.

O professor Geraldo Wilson Fernandes explica que o estudo considerou os registros de ocorrência de cada uma das espécies estudadas e extraiu informações sobre as variáveis ambientais em cada um desses pontos. As espécies estudadas, endêmicas das regiões montanhosas e que habitam áreas similares, em campos de altitude com afloramento rochosos e vegetação arbustiva, são o beija-flor asa-de-sabre (Campylopterus diamantinensis), o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), o beija-flor-de-gravata-vermelha (Augastes lumachella), o papa-formiga-do-sincorá (Formicivora grantsaui), o pedreiro-do-espinhaço (Cinclodes espinhacensis), o lenheiro-da-serra-do-cipó (Asthenes luizae), a garrincha-chorona (Asthenes moreirae), o papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris), o rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda) e o tapaculo-da-chapada-diamantina (Scytalopus diamantinensis), que prefere arbustos mais elevados.

“Utilizamos cinco algoritmos (funções) diferentes para encontrar um padrão entre as variáveis para essas espécies e projetá-lo sobre o espaço geográfico, com a finalidade de identificar as áreas com características similares para cada espécie. Um determinado ponto foi considerado adequado para a ocorrência de uma espécie se ele foi previsto por pelo menos três dos cinco algoritmos utilizados”, relata Fernandes.

Na avaliação do professor do ICB, a Chapada Diamantina pode perder praticamente toda a sua adequabilidade ambiental, o que representa risco para grupos de espécies existentes apenas naquela região, os chamados endemismos. A porção centro-sul da cadeia do Espinhaço é outra área ameaçada pela mineração – há projetos de novas minas para esse trecho da cadeia.

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