{"id":2131,"date":"2022-06-17T01:58:48","date_gmt":"2022-06-17T01:58:48","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/?p=2131"},"modified":"2022-11-12T23:01:36","modified_gmt":"2022-11-12T23:01:36","slug":"warming-boletim-008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/warming-boletim-008\/","title":{"rendered":"Warming &#8211; Boletim 008"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large wp-duotone-rgb92553-rgba23213228094-1\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"234\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1-1024x234.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2217\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1-1024x234.png 1024w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1-300x69.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1-768x175.png 768w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1-1536x351.png 1536w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ativo-1.png 1541w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Enquanto os sinais de alerta&nbsp;sobre o aquecimento global, que precisamos mudar para diminuir as nossas pegadas no planeta com urg\u00eancia,&nbsp;s\u00e3o&nbsp;apresentados ao cidad\u00e3o comum em todos os&nbsp;cantos e rinc\u00f5es do planeta Terra, continuamos marchando rumo a um futuro incerto. Inertes ao conhecimento que extravasa laborat\u00f3rios e dos c\u00e9rebros dos pensadores marchamos sem questionar.&nbsp;Apenas sobrevivemos ao momento ruim da hist\u00f3ria onde o negacionismo prosperou entre os ignorantes e aproveitadores de uma elite obtusa, mas certamente focada em obter vantagens econ\u00f4micas a qualquer pre\u00e7o.&nbsp;Como se tivessem ao seu dispor naves para os conduzir a outras paragens onde estariam livres dos problemas que os te\u00f3ricos profetizam ir\u00e3o tornar o mundo cada vez mais perigoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Salvar a segunda maior cordilheira da Am\u00e9rica do Sul em extens\u00e3o \u00e9 algo grande e exige um esfor\u00e7o herc\u00faleo!&nbsp;N\u00e3o se faz isso de um dia para o outro.&nbsp;Se faz com o envolvimento de pessoas que querem lutar pelo bem comum, para que tenhamos recursos naturais para ajudar 50 milh\u00f5es de brasileiros em sua trajet\u00f3ria, pois do Espinha\u00e7o vem a \u00e1gua, os polinizadores, alimento, fibras, medicamentos, min\u00e9rios e a inspira\u00e7\u00e3o para a luta.&nbsp;Na primeira mat\u00e9ria desse n\u00famero falamos de uma proposta de nos unirmos para lutar em favor do uso sustent\u00e1vel do campo rupestre.&nbsp;O artigo, que pode ser lido tamb\u00e9m em portugu\u00eas, fala da import\u00e2ncia do momento e da necessidade premente em elaborar estrat\u00e9gias sustent\u00e1veis antes que nossos horizontes sejam transformados definitivamente em buracos, florestas geom\u00e9tricas ou mesmo sejam escondidos por telhados, nossos rios entupidos pela eros\u00e3o do quartzo e ferro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m nesta edi\u00e7\u00e3o do Warming abordamos os segredos da poliniza\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas do campo rupestre e desvendamos quem s\u00e3o os principais organismos que polinizam as belas flores dos campos e rochas de quartzo.&nbsp;Outra mat\u00e9ria nos informa como interagem as formigas, insetos herb\u00edvoros e uma erva de passarinho muito comum no Cerrado.&nbsp;Ainda outra mat\u00e9ria trata de insetos que agem como engenheiros de ecossistemas, pois s\u00e3o assim chamados por manipularem os recursos naturais e construir abrigos ou estruturas que permitem a coexist\u00eancia de v\u00e1rios outros organismos.&nbsp;Assim, contribuem com a diversidade encontrada nos campos do Cip\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Trazemos ainda uma entrevista com o renomado pesquisador argentino, Ramiro Aguilar que nos conta sua trajet\u00f3ria cient\u00edfica e como v\u00ea o desenvolvimento da sua \u00e1rea no futuro pr\u00f3ximo.&nbsp;O novo livro sobre os p\u00e1ssaros do Cip\u00f3 \u00e9 apresentado ao p\u00fablico por um de seus editores, Fernando Goulart, que relata a odisseia que as vezes temos de travar para ter trabalhos importantes como este levado ao p\u00fablico brasileiro. Por fim compartilhamos o interc\u00e2mbio de coopera\u00e7\u00e3o realizado com o Prof. Ezequiel Fabiano (Universidade de Nam\u00edbia) em visita ao site do PELD-CRSC, e quem participou de um curso de campo sobre Ecologia do Cerrado para alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Programa de Ecologia, Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo da Vida Silvestre da UFMG, e em atividades de pesquisa sobre o impacto do fogo no campo rupestre e matas nebulares na Serra do Cip\u00f3.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"rupestre\"><img decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-12.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2247\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-12.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-12-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-12-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A sustentabilidade \u00e9 um conceito que abrange uma infinidade de benef\u00edcios fornecidos pelos ecossistemas naturais, os quais asseguram a subsist\u00eancia e o bem-estar dos seres humanos, e que engloba desde a persist\u00eancia da biodiversidade at\u00e9 a regula\u00e7\u00e3o do clima. Entende-se a sustentabilidade como a capacidade de suprir as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de suprirem as pr\u00f3prias necessidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a conserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais tem atra\u00eddo a maior parte dos holofotes devido a sua ineg\u00e1vel import\u00e2ncia. No entanto, apesar de sua alta diversidade e da import\u00e2ncia dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que fornecem, ecossistemas abertos como o do campo rupestre, vem sendo historicamente desprezados. O campo rupestre apresenta uma important\u00edssima riqueza ecol\u00f3gica, social, cultural, geoambiental e econ\u00f4mica, sendo um importante reservat\u00f3rio de biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos para mais de 50 milh\u00f5es de brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Fig-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2132\" width=\"500\" height=\"450\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s discuss\u00f5es envolvendo cientistas, representantes da ind\u00fastria, gestores ambientais e outros membros da sociedade civil, foi publicado recentemente um trabalho in\u00e9dito onde s\u00e3o discutidas as principais amea\u00e7as atuais \u00e0 persist\u00eancia desse ambiente como reservat\u00f3rio de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para o pa\u00eds, destacando as a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para sua manuten\u00e7\u00e3o. Essas a\u00e7\u00f5es incluem esfor\u00e7os relacionados \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, ecoturismo sustent\u00e1vel, prote\u00e7\u00e3o do conhecimento ecol\u00f3gico tradicional, identifica\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es de pesquisa emergentes e desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas sob medida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">N\u00f3s detalhamos algumas das principais atividades que representam amea\u00e7as significativas \u00e0 biodiversidade do campo rupestre e \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Estas incluem mal planejamento na constru\u00e7\u00e3o de estradas, as quais cortam de fora a fora as montanhas do Espinha\u00e7o e outras \u00e1reas relevantes e crescimento urbano descontrolado e mal planejado. Al\u00e9m disso, soma-se \u00e0 lista infind\u00e1vel, a minera\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel e o garimpo que historicamente tem deixado grandes sequelas ambientais em todos os n\u00edveis e escalas. Mas os problemas n\u00e3o param por ai e exemplos s\u00e3o o da expans\u00e3o do plantio de monoculturas de \u00e1rvores ex\u00f3ticas (por exemplo, eucalipto), o agroneg\u00f3cio, a explora\u00e7\u00e3o excessiva de esp\u00e9cies ornamentais e o ecoturismo, que de sustent\u00e1vel e ecol\u00f3gico nada tem. Essa lista toda de problemas \u00e9 facilitada pela falta de governan\u00e7a dos setores governamentais que deveriam entender e zelar pelo campo rupestre.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Fig.-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2133\" width=\"500\" height=\"450\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Consecutivamente, propomos algumas diretrizes para fomentar a constitui\u00e7\u00e3o de um plano de a\u00e7\u00e3o baseado em evid\u00eancias para a conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o sustent\u00e1vel da biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do campo rupestre. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o integradas em uma constru\u00e7\u00e3o coletiva que representa um roteiro para salvaguardar o campo rupestre de uma maior degrada\u00e7\u00e3o e direcionar sua superexplora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em busca de uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ao estabelecer prioridades e diretrizes, propomos um plano que esperamos possa subsidiar a tomada de decis\u00f5es informadas para o uso sustent\u00e1vel desse ecossistema. Contudo, estamos cientes de que, apesar de ser uma tarefa urgente, esse planejamento precisa ser discutido em profundidade e parcerias s\u00f3lidas estabelecidas com os diversos atores da sociedade para atingir o n\u00edvel de governan\u00e7a que esse ecossistema necessita para sobreviver a esses tempos de mudan\u00e7as globais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Fernandes, G. W., Arantes-Garcia, L., Barbosa, M., et al. 2020. Biodiversity and ecosystem services in the campo rupestre: A road map for the sustainability of the hottest Brazilian biodiversity hotspot. Perspective in Ecology and Conservation,18:213-222. <br>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.pecon.2020.10.004%20\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.pecon.2020.10.004<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Fernandes, G. W. 2016. The shady future of the rupestrian grassland: major threats to conservation and challenges in the Anthropocene. In: G.W. Fernandes (Ed.), Ecology and Conservation of Mountaintop Grasslands in Brazil, Springer, Switzerland, pp. 545-561. <br>DOI:<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-3-319-29808-5_23\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-3-319-29808-5_23<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Fernandes, G. W., Barbosa, N. P. U., Alberton, B., et al. 2018. The deadly route to collapse and the uncertain fate of Brazilian rupestrian grasslands. Biodiversity Conservation, 27:2587-2603. <br>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10531-018-1556-4\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10531-018-1556-4<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2206\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"campo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2248\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-2.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-2-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-2-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O <em>campo rupestre<\/em> concentra cerca de 15% da biodiversidade de plantas em menos de 1% do territ\u00f3rio do nosso pa\u00eds. Isso quer dizer que essa vegeta\u00e7\u00e3o apresenta uma enorme diversidade de esp\u00e9cies e nelas encontramos diferentes h\u00e1bitos: das gram\u00edneas dominantes e outras ervas, arbustos at\u00e9 \u00e1rvores, com arquiteturas diversas. Como consequ\u00eancia dessa enorme variedade de esp\u00e9cies, o campo rupestre apresenta tamb\u00e9m uma diversidade incr\u00edvel de flores de distintos formatos, tamanhos, cores e cheiros. Outra caracter\u00edstica marcante do campo rupestre, que ocorre em altitudes mais elevadas de regi\u00f5es montanhosas, \u00e9 que est\u00e1 composto por diferentes tipos de vegeta\u00e7\u00e3o organizadas como se fossem um mosaico ou colcha-de-retalhos, que tamb\u00e9m variam ao longo do gradiente de altitude (mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria!). Cada vegeta\u00e7\u00e3o cresce sobre diferentes tipos de solos, e as principais s\u00e3o os campos arenosos, campos pedregosos, campos \u00famidos, afloramentos rochosos e cerrados. Cada uma dessas vegeta\u00e7\u00f5es apresenta composi\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies particulares e, consequentemente, variados tipos de flores, exibindo distintos modos de poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/image-33.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2135\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>&nbsp;Diferentes morfologias florais encontradas nas plantas do campo rupestre. Fotos: BL Monteiro, LPC Morellato e MGG Camargo.<\/sub><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a transfer\u00eancia do p\u00f3len da parte masculina para a parte feminina das flores. Este processo \u00e9 fundamental para a reprodu\u00e7\u00e3o de muitas plantas, pois \u00e9 assim pode ocorrer a fecunda\u00e7\u00e3o levando a forma\u00e7\u00e3o dos frutos e sementes. Quem realiza esta importante tarefa s\u00e3o os agentes polinizadores. Estes podem ser o vento, a \u00e1gua e, principalmente no Brasil e regi\u00f5es tropicais, os animais, principalmente os insetos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A grande variedade de flores com cores, odores, formas e tamanhos diversos, indicam distintos agentes de poliniza\u00e7\u00e3o, e isso n\u00e3o \u00e9 diferente no mosaico de vegeta\u00e7\u00f5es do campo rupestre! Temos muitos tipos florais e de polinizadores! Considerando o cen\u00e1rio atual de grande perda de biodiversidade, e a import\u00e2ncia dos polinizadores para a reprodu\u00e7\u00e3o das plantas em geral, incluindo as cultivadas, nos interessamos em saber sobre a poliniza\u00e7\u00e3o do campo rupestre, que \u00e9 um ecossistema muito amea\u00e7ado. Vamos conhecer um pouco mais?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Realizamos um estudo para entender quais s\u00e3o os sistemas de poliniza\u00e7\u00e3o presentes no campo rupestre e como est\u00e3o distribu\u00eddos no mosaico de vegeta\u00e7\u00f5es. O sistema de poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 como denominamos a rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes tipos florais com os seus agentes polinizadores observados em campo. Por exemplo, h\u00e1 as flores com tubos longos e cores vibrantes que s\u00e3o polinizadas por beija-flores e seus longos bicos, ou flores min\u00fasculas, sem atrativos, mas com uma imensa quantidade de p\u00f3len que s\u00e3o polinizadas pelo vento e at\u00e9 mesmo flores brancas e pequenas que podem ser polinizadas por qualquer inseto que a visite. Nosso estudo demonstra que os principais sistemas de poliniza\u00e7\u00e3o no campo rupestre s\u00e3o as abelhas, que \u00e9 uma poliniza\u00e7\u00e3o bi\u00f3tica ou por animais, seguido pelo vento (que chamamos poliniza\u00e7\u00e3o abi\u00f3tica, pois n\u00e3o depende de nenhum animal). A vegeta\u00e7\u00e3o do campo rupestre \u00e9 dominada por gram\u00edneas e outras ervas que s\u00e3o polinizadas predominantemente pelo vento, explicando a import\u00e2ncia da poliniza\u00e7\u00e3o por esse agente.&nbsp; Na caracteriza\u00e7\u00e3o geral, a poliniza\u00e7\u00e3o bi\u00f3tica, realizada por diferentes grupos de animais \u00e9 a dominante no campo rupestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Dentro dos diferentes grupos de polinizadores bi\u00f3ticos ou animais, alguns se mostram extremamente importantes, pois s\u00e3o respons\u00e1veis pela conex\u00e3o dessa paisagem em mosaico, garantindo a reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que possuem popula\u00e7\u00f5es pequenas e distantes uma da outra. Esse \u00e9 o caso das abelhas grandes e dos beija-flores, capazes de voar longas dist\u00e2ncias para visitar as plantas em busca de recursos, usualmente n\u00e9ctar, e efetuar a poliniza\u00e7\u00e3o. Esses animais voam de um afloramento para outro ou at\u00e9 mesmo ao longo do gradiente de altitude, efetuando a poliniza\u00e7\u00e3o e mantendo essa vegeta\u00e7\u00e3o rica e diversa!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/figura2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2134\" width=\"600\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Porcentagem de esp\u00e9cies de plantas de campo rupestre com diferente sistema de poliniza\u00e7\u00e3o.<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A partir desse estudo podemos entender um pouco melhor sobre os processos que levaram a alta diversidade de plantas no campo rupestre e a evolu\u00e7\u00e3o desta importante vegeta\u00e7\u00e3o. Podemos tamb\u00e9m elaborar estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o, que contam com essas esp\u00e9cies de polinizadores para a sua manuten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">\u00c9 importante lembrar que os animais polinizadores buscam nessas flores recursos para a sua sobreviv\u00eancia, como o n\u00e9ctar e o p\u00f3len, e essas \u00e1reas nativas s\u00e3o de grande import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o desses animais. Entretanto, se pensarmos principalmente nas abelhas, que oferecem servi\u00e7os ecossist\u00eamicos importantes ao polinizarem as plantas em nossas hortas e outras culturas, esses animais s\u00e3o essenciais para a seguran\u00e7a alimentar da humanidade. Devemos lembrar sempre qu\u00e3o importantes s\u00e3o para n\u00f3s esses simp\u00e1ticos animais!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Monteiro, B. L., Camargo, M. G. G., Loiola, P. D. P., et al. 2021. Pollination in the <em>campo rupestre<\/em>: a test of hypothesis for an ancient tropical mountain vegetation. Biological Journal of the Linnean Society, 133: 512-530. <br>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/biolinnean\/blaa205\">https:\/\/doi.org\/10.1093\/biolinnean\/blaa205<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2197\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-1.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-1-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"passarinho\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2249\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-3.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-3-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-2-3-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">As comunidades biol\u00f3gicas s\u00e3o organizadas por intera\u00e7\u00f5es entre os v\u00e1rios organismos que as comp\u00f5em e o meio ambiente. Essas intera\u00e7\u00f5es podem ser positivas (mutualistas), onde todos os organismos s\u00e3o beneficiados, como a poliniza\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o. Outro tipo de intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o as negativas (antagonistas) as quais geram custos para pelo menos um dos organismos envolvidos, como a competi\u00e7\u00e3o e a preda\u00e7\u00e3o. No mundo real as esp\u00e9cies interagem simultaneamente com mutualistas e antagonistas, sendo influenciadas direta ou indiretamente pelos mesmos. O resultado desse conjunto de intera\u00e7\u00f5es pode afetar o crescimento, a sobreviv\u00eancia e a reprodu\u00e7\u00e3o dos organismos envolvidos, bem como a organiza\u00e7\u00e3o das comunidades no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Um exemplo cl\u00e1ssico desses sistemas \u00e9 aquele formado por uma planta hospedeira, seus insetos herb\u00edvoros sugadores de seiva e esp\u00e9cies de formigas protetoras dos insetos herb\u00edvoros. Nesses sistemas ocorrem intera\u00e7\u00f5es mutual\u00edsticas entre os herb\u00edvoros sugadores e as formigas. Os insetos herb\u00edvoros excretam um l\u00edquido que serve de alimento para essas formigas e em troca recebem prote\u00e7\u00e3o contra seus inimigos naturais. Essa intera\u00e7\u00e3o entre hem\u00edpteros sugadores e formigas \u00e9 conhecida como trofobiose (termo grego que faz refer\u00eancia \u00e0 simbiose nutritiva). Essa intera\u00e7\u00e3o pode resultar indiretamente em custos e\/ou benef\u00edcios para a planta hospedeira. Os resultados dependem dos efeitos diretos da herbivoria por esses sugadores e dos efeitos indiretos mediados pela presen\u00e7a das formigas nas plantas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-1000x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2136\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><strong>&nbsp;<\/strong>Insetos trofobiontes e formigas <em>Camponotus rufipes<\/em> associados a erva de passarinho em uma \u00e1rea de campo rupestre da Serra do Cip\u00f3.<\/sub><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Os insetos herb\u00edvoros sugadores interagem de forma direta e antag\u00f4nica ao consumir a seiva das plantas acarretando na drenagem de recursos e nutrientes. Os efeitos indiretos s\u00e3o mediados pelas formigas que s\u00e3o atra\u00eddas pelos insetos sugadores. Essas formigas, por apresentarem comportamento agressivo, podem predar ou espantar outros insetos herb\u00edvoros, e por serem algumas vezes muito agressivas, podem at\u00e9 mesmo perseguir e repelir potenciais visitantes florais e polinizadores, comprometendo a reprodu\u00e7\u00e3o da planta. Dessa forma, a presen\u00e7a de mutualismos formiga-trofobionte pode gerar conflitos para a planta hospedeira com consequ\u00eancias que ir\u00e3o depender do balan\u00e7o entre os custos e benef\u00edcios das intera\u00e7\u00f5es diretas e indiretas entre os organismos presentes no sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Um estudo in\u00e9dito realizado no campo rupestre da Serra do Cip\u00f3 mostrou como as intera\u00e7\u00f5es entre os insetos herb\u00edvoros sugadores e as formigas influenciam na reprodu\u00e7\u00e3o de uma erva de passarinho conhecida como <em>Psittacanthus robustus<\/em>. O estudo avaliou os efeitos indiretos da presen\u00e7a de formigas na visita\u00e7\u00e3o pelos polinizadores da planta, os beija-flores. Em um dos experimentos, foram avaliados tamb\u00e9m os efeitos da densidade de insetos herb\u00edvoros sugadores no tamanho dos frutos e sementes produzidos, na germina\u00e7\u00e3o de sementes e no estabelecimento das plantas jovens.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-2-1024x771.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2137\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><strong>&nbsp;<\/strong>Formigas protegendo herb\u00edvoros trofobiontes associados a <em>Psittacanthus.<\/em> Foto: T Guerra.<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Os resultados mostraram que a erva-de-passarinho \u00e9 afetada principalmente pelas intera\u00e7\u00f5es diretas com seus insetos herb\u00edvoros sugadores, enquanto a presen\u00e7a de formigas nas infloresc\u00eancias n\u00e3o afetou a visita\u00e7\u00e3o pelos polinizadores. No entanto, o aumento da densidade de insetos herb\u00edvoros sugadores resultou na produ\u00e7\u00e3o de sementes menores. Isso provavelmente se deve ao grande consumo de seiva pelos herb\u00edvoros o que provoca uma limita\u00e7\u00e3o de recursos e nutrientes destinados para a produ\u00e7\u00e3o de frutos e sementes pela planta. Embora o aumento na quantidade de insetos sugadores possa reduzir o tamanho m\u00e9dio das sementes, a germina\u00e7\u00e3o das sementes e o estabelecimento das plantas jovens n\u00e3o foram afetadas. Provavelmente essas ervas de passarinho apresentam uma certa toler\u00e2ncia ao ataque intenso por insetos sugadores, pois mesmo sofrendo com os custos do ataque na produ\u00e7\u00e3o de suas sementes, sementes menores ainda sim podem germinar e se estabelecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Esses estudos contribuem para avan\u00e7os no conhecimento de como as intera\u00e7\u00f5es entre animais e plantas ocorrem no campo rupestre e como cada uma dessas esp\u00e9cies est\u00e3o ligadas umas \u00e0s outras. Al\u00e9m disso, ajudam no entendimento da reprodu\u00e7\u00e3o das ervas de passarinho, as quais s\u00e3o amplamente distribu\u00eddas pelos ecossistemas terrestres e fornecem recursos nutricionais e estruturais fundamentais para diversos animais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ferreira, V. C. M., Neves, F. S., Guerra, T. J. 2022. Direct and indirect effects of ant \u2013 trophobiont interactions on the reproduction of a hummingbird-pollinated mistletoe. Plant Ecology, 223:285-296. <br>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11258-021-01206-5\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11258-021-01206-5<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2198\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-1.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-1-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"ecossistemas\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-3-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2250\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-3-1.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-3-1-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-3-1-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Em um artigo rec\u00e9m publicado, constru\u00edmos um banco de dados sobre artr\u00f3podes (insetos e outras esp\u00e9cies como aranhas) construtores de abrigos e as plantas hospedeiras onde s\u00e3o encontrados. Esses organismos s\u00e3o chamados de &#8220;engenheiros de ecossistemas&#8221; e os abrigos que eles constroem influenciam no n\u00famero e nas esp\u00e9cies de organismos que podem habitar uma determinada planta. Al\u00e9m disso, s\u00e3o capazes de interferir nas intera\u00e7\u00f5es entre as esp\u00e9cies que ocupam essas plantas, e at\u00e9 mesmo na velocidade de decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica que cai no solo. Dentro dessa ideia de organismos engenheiros, aprofundamos o conhecimento sobre quais s\u00e3o os engenheiros encontrados na natureza, suas plantas hospedeiras, os tipos de abrigos que eles constroem e os insetos que se abrigam dentro dessas estruturas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Compilamos mais de 1.000 registros que foram encontrados em artigos cient\u00edficos escritos desde 1932, realizados em mais de 50 pa\u00edses do mundo e em v\u00e1rios ecossistemas naturais, desde zonas polares a tropicais. O estudo in\u00e9dito mostra os abrigos constru\u00eddos por diversos animais, como aranhas, besouros, lagartas, moscas, vespas e at\u00e9 vermes microsc\u00f3picos.&nbsp; Esses organismos constroem uma variedade de estruturas nas suas plantas hospedeiras, como cabanas, barracas e rolos foliares, tumores em folhas e caule, e galerias em troncos. Al\u00e9m de dados sobre as plantas hospedeiras, construtores e tipos de abrigos, descrevemos tamb\u00e9m quais eram os insetos que utilizam esses abrigos e o que eles fazem neles, ou seja, se eles os utilizam para se esconder de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desfavor\u00e1veis, para se reproduzir, ou at\u00e9 mesmo pra ca\u00e7ar presas dentro ou fazer emboscadas para suas presas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-1024x343.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2275\" width=\"645\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-1024x343.jpg 1024w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-300x100.jpg 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-768x257.jpg 768w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-1536x514.jpg 1536w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura-1-3-1-2048x685.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Tumor foliar (galha), com estrutura semelhante \u00e0 uma ervilha, utilizada frequentemente por ocupantes secund\u00e1rios como a formiga <em>Cephalotes pusillus<\/em> ou a aranha <em>Parawixia<\/em> sp.<\/sub><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Esse levantamento global listou um estudo no Brasil, especificamente da Serra do Cip\u00f3, em que Milton Barbosa e colaboradores descreveram em 2019 uma esp\u00e9cie de cigarrinha que induz uma galha (tumor) nas folhas da sua planta hospedeira, o alecrim-do-campo, formando uma estrutura semelhante \u00e0 uma ervilha. Dentro desses tumores, as larvas das cigarrinhas se desenvolvem, se alimentando de nutrientes desviados de outros tecidos do alecrim-do-campo. Ap\u00f3s o desenvolvimento das larvas, as galhas persistem nas plantas, servindo de abrigo para outros artr\u00f3podes, os chamados ocupantes secund\u00e1rios, como formigas e aranhas (Figura 1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">&nbsp;Nosso conjunto de dados mostra esse e diversos outros exemplos de intera\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas e destaca a import\u00e2ncia dessas pequenas estruturas para as esp\u00e9cies que os utilizam, servindo de abrigo, local para reprodu\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, e tamb\u00e9m como importantes ref\u00fagios para esp\u00e9cies sens\u00edveis \u00e0 aridez, altas temperaturas e variabilidade clim\u00e1tica. Proteger nossos ambientes naturais \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a perman\u00eancia dessas esp\u00e9cies e para a manuten\u00e7\u00e3o dessas fant\u00e1sticas intera\u00e7\u00f5es entre insetos e plantas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Pereira, C. C., Novais, S., Barbosa, M., et al. 2022. Arthropod constructs and their host plants. Bulletin of the Ecological Society of America, 103: e01971. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/bes2.1971\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/bes2.1971<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Pereira, C. C., Novais, S., Barbosa, M., et al. 2022. Subtle structures with not-so-subtle functions: a dataset of arthropod constructs and their host plants. Ecology, 103: e3639. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3639\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3639<\/a>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2232\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-10.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-10-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"ramiro\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-4-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2251\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-4-1.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-4-1-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-4-1-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Pesquisador da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba, na regi\u00e3o central da Argentina. Investiga os efeitos de dist\u00farbios humanos em larga escala, como a perda de florestas, invas\u00f5es biol\u00f3gicas e inc\u00eandios florestais, nas intera\u00e7\u00f5es entre as plantas e os animais ao longo de seu ciclo de vida. Esses fatores causados pelo homem podem modificar a din\u00e2mica reprodutiva, o crescimento populacional, a diversidade gen\u00e9tica e as caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas das vegeta\u00e7\u00f5es. Esses tipos de estudos geram conhecimentos b\u00e1sicos e aplicados em ecologia e gest\u00e3o de recursos naturais. Ramiro tamb\u00e9m tem experi\u00eancia no estabelecimento de generaliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias \u00e1reas da ecologia atrav\u00e9s de revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editorial Warming (EW):<strong> Conta um pouco sobre voc\u00ea<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">RR: Sou de C\u00f3rdoba, Argentina e trabalho como pesquisador cient\u00edfico no Instituto Multidisciplinar de Biologia Vegetal da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba. Atualmente sou professor visitante estrangeiro no Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Estou aqui com minha parceira e tamb\u00e9m bi\u00f3loga pesquisadora, Lorena Ashworth. Estou muito feliz por estar aqui e poder compartilhar pesquisas com colegas e amigos da UFMG, que conhe\u00e7o pessoalmente e de seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/image-51.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2243\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Mapa da Argentina com a regi\u00e3o de C\u00f3rdoba destacada em vermelho.<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EW: <strong>Porque voc\u00ea decidiu ser cientista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">RR: Sempre tive curiosidade sobre o ambiente natural, gostava especialmente de observar o c\u00e9u noturno. Eu era fascinado pelas estrelas e planetas e \u00e9 por isso que meus pais me deram um telesc\u00f3pio quando eu tinha uns 12 anos. Como muitos da minha gera\u00e7\u00e3o, tive uma influ\u00eancia muito forte com a ci\u00eancia popular de Carl Sagan e sua s\u00e9rie Cosmos. Li v\u00e1rios livros dele quando era jovem e acho que a partir desses momentos me apaixonei pela ci\u00eancia. Entendi a ci\u00eancia como o mecanismo mais objetivo para compreender a natureza que nos cerca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EW: <strong>Porque escolheu estudar biologia (numa perspectiva geral)?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">RR: Eu tinha certeza de que iria estudar alguma disciplina cient\u00edfica, inicialmente astronomia. Por\u00e9m, aos 17 anos, fiz um interc\u00e2mbio de um ano para o Canad\u00e1, onde fiz meu \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio. L\u00e1 tive um grande professor de biologia, o Sr. Dorland, que me contagiou com sua paix\u00e3o pela biologia com suas aulas maravilhosas me mostrando os diferentes n\u00edveis de complexidade da vida. Essa diversidade de possibilidades de pesquisa, de mol\u00e9culas a ecossistemas, me convenceu de que minha especializa\u00e7\u00e3o seria biologia. Ent\u00e3o, durante meu primeiro ano de Biologia, tive outro grande professor, Gabriel Bernardello, que me deixou apaixonado por plantas e intera\u00e7\u00f5es planta-polinizador. Em suma, minhas decis\u00f5es de carreira foram inspiradas por pessoas apaixonadas pelo seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EW: <strong>O que voc\u00ea faz hoje em dia? explica um pouco sobre sua linha de pesquisa<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">RR: Estudo como as mudan\u00e7as no uso do solo e outras perturba\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, como inc\u00eandios e invas\u00f5es biol\u00f3gicas, afetam os processos reprodutivos, demogr\u00e1ficos e gen\u00e9ticos das plantas. As plantas s\u00e3o organismos s\u00e9sseis e, em sua maioria, precisam de animais para se reproduzir e se dispersar. Eu avalio como dist\u00farbios humanos em larga escala afetam essas intera\u00e7\u00f5es mutual\u00edsticas com polinizadores e dispersores. Estou interessado em entender como as mudan\u00e7as na abund\u00e2ncia e no comportamento de animais mutualistas afetam os padr\u00f5es de acasalamento e dispers\u00e3o de sementes, o que pode ter consequ\u00eancias no recrutamento e nas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas de futuras gera\u00e7\u00f5es de plantas nesses ambientes perturbados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EW:<strong> Como voc\u00ea enxerga o futuro dessa \u00e1rea que voc\u00ea trabalha?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">RR: Atualmente conhecemos muito bem os padr\u00f5es de resposta das plantas a diferentes dist\u00farbios, especialmente como as mudan\u00e7as no uso da terra afetam as intera\u00e7\u00f5es mutual\u00edsticas de poliniza\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o e quais s\u00e3o seus efeitos no recrutamento e viabilidade das popula\u00e7\u00f5es de plantas. Os resultados nos mostram um cen\u00e1rio preocupante para as plantas: os padr\u00f5es de acasalamento tendem a ser mais endog\u00e2micos (entre indiv\u00edduos geneticamente semelhantes) e menos quantidade e qualidade da prole s\u00e3o produzidas em ambientes perturbados, o que compromete seriamente sua viabilidade a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Acredito que os esfor\u00e7os futuros de pesquisa devem ser direcionados para medir como restabelecer essas intera\u00e7\u00f5es nessas paisagens fragmentadas e perturbadas pelo homem para evitar as extin\u00e7\u00f5es locais de plantas que estamos observando atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Sem tentar trazer os sistemas naturais de volta ao seu ponto de origem, antes das perturba\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, devemos entender que tipos de paisagens antr\u00f3picas s\u00e3o aquelas que permitem que essas intera\u00e7\u00f5es sejam mantidas para garantir a viabilidade das popula\u00e7\u00f5es de plantas em longo prazo. Para isso, precisamos combinar a ecologia de intera\u00e7\u00e3o e paisagem com a ecologia gen\u00e9tica para medir a conectividade e o fluxo g\u00eanico entre popula\u00e7\u00f5es fragmentadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Outro aspecto importante ser\u00e1 entender os mecanismos de adapta\u00e7\u00e3o de plantas e animais nessas paisagens antr\u00f3picas. Ou seja, investigar as bases gen\u00e9ticas de caracter\u00edsticas ecol\u00f3gicas importantes para entender seu potencial adaptativo ou se a sele\u00e7\u00e3o est\u00e1 ocorrendo em tempos ecol\u00f3gicos ligados a esses dist\u00farbios antr\u00f3picos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Ramiro-Aguilar_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2140\" width=\"500\" height=\"450\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saiba mais sobre as pesquisas do Ramiro em: <a href=\"https:\/\/ramiroaguilar.weebly.com\/\">https:\/\/ramiroaguilar.weebly.com<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2206\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-16-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"aves\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2252\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-2.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-2-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-5-2-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A Serra do Cip\u00f3, essa regi\u00e3o que traz hist\u00f3rias, mist\u00e9rios e personagens, encanta por ser tantos lugares em um s\u00f3. \u00c1gua que torce o rio, cip\u00f3 que enrola galho, planta que \u00e9 sempre-viva e animais que usam gravata. Mil vidas habitam cada uma desses locais. Bicho de escama, pelo e de pena, sendo essa obra dedicada a esses \u00faltimos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O livro Aves da Serra do Cip\u00f3, lan\u00e7ado em janeiro de 2022, \u00e9 um compilado de informa\u00e7\u00f5es e fotografias sobre as aves que habitam a Serra do Cip\u00f3, mas que aborda tamb\u00e9m aspectos sociais e ecol\u00f3gicos dessa rica regi\u00e3o. A obra foi liderada por Luiza Kot, fot\u00f3grafa da natureza e designer, juntamente com Fernando Figueiredo Goulart, Marcelo Ferreira de Vasconcelos, Eduardo Franco e Marcos Rodrigues, e envolveu contribui\u00e7\u00f5es dos principais especialistas em aves (ornit\u00f3logos) que trabalharam na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O livro traz uma s\u00edntese pioneira sobre os achados ornitol\u00f3gicos na regi\u00e3o, reunindo mais de vinte anos de pesquisas realizadas pelo grupo de autores no Parque Nacional da Serra do Cip\u00f3 e adjac\u00eancias. O livro foi viabilizado atrav\u00e9s de uma campanha de financiamento coletivo, incluindo mais de 220 apoiadores individuais e colabora\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O livro foi escrito em portugu\u00eas e ingl\u00eas, sendo dividido em tr\u00eas cap\u00edtulos. No primeiro cap\u00edtulo, <em>Ser-t\u00e3o Cip\u00f3<\/em>, a Serra e sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, cultural e ecol\u00f3gica \u00e9 introduzida. Dos registros arqueol\u00f3gicos do Grande Abrigo de Santana passando pela Estrada Real, importante rota no per\u00edodo colonial, at\u00e9 a riqueza cultural atual, a Serra do Cip\u00f3 \u00e9 \u00fanica na sua hist\u00f3ria, assim como na sua biodiversidade. O segundo cap\u00edtulo chamado <em>Aves das Serras do Cip\u00f3 <\/em>apresenta um compilado de diversos registros not\u00f3rios de aves na regi\u00e3o e uma s\u00edntese geral das pesquisas realizadas sobre aves na Serra do Cip\u00f3. Dentre os achados, se destaca a descri\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie chamada Pedreiro-do-Espinha\u00e7o (<em>Cinclodes espinhacensis<\/em>), um p\u00e1ssaro da fam\u00edlia do Jo\u00e3o-de-Barro (Furnaridae) que habita as \u00e1reas brejosas da regi\u00e3o. A distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica desta esp\u00e9cie \u00e9 extremamente restrita, o que aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o sobre seu futuro, uma vez que quanto menor a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, maior a chance de extin\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/image-34.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2141\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>&nbsp;Pedreiro-do-espinha\u00e7o (<em>Cinclodes espinhacensis<\/em>). Foto: Luiza Kot.<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O terceiro cap\u00edtulo, <em>Guia das Aves, <\/em>compila informa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, biogeogr\u00e1ficas, morfol\u00f3gicas e de conserva\u00e7\u00e3o de 142 esp\u00e9cies que ocorrem na regi\u00e3o.&nbsp; A compila\u00e7\u00e3o inclui aves t\u00edpicas de Cerrado como o beija-flor-chifre-de-ouro (<em>Heliactin bilophus<\/em>) que habita diferentes tipos de ambientes no bioma, outras end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica, como os Tangar\u00e1s (<em>Chiroxiphia caudata<\/em>) que realizam suas dan\u00e7as acrob\u00e1ticas para impressionar as f\u00eameas. H\u00e1 tamb\u00e9m aquelas que habitam os campos rupestres como o beija-flor-de-gravata (<em>Augastes scutatus<\/em>), o Rabo-mole-da-serra (<em>Embernagra longicauda<\/em>) e o papa-moscas-de-costas-cinzentas (<em>Polystictus superciliares<\/em>). Tamb\u00e9m foram inclu\u00eddas esp\u00e9cies de distribui\u00e7\u00e3o ampla como o Sabi\u00e1-do-campo (<em>Mimus saturninus<\/em>) e o Tico-tico (<em>Zonotrichia capensis<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O lan\u00e7amento foi realizado Parque Nacional da Serra do Cip\u00f3 e para acompanhar, o Est\u00fadio Jandaia: Hist\u00f3rias Tropicais, elaborou o v\u00eddeo \u201cAves da Serra do Cip\u00f3\u201d que faz uma homenagem aos brigadistas que protegem a avifauna e outros seres vivos dos inc\u00eandios desastrosos, a maior causa de perda de biodiversidade da regi\u00e3o e certamente a maior amea\u00e7a \u00e0s aves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O livro e outros produtos podem ser adquiridos no site do projeto. Voe com a gente para conhecer mais sobre essa hist\u00f3ria tropical!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Aves da Serra do Cip\u00f3\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oWgxeT65Nyo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2234\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-1.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-1-1-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/rounded-in-photoretrica-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2299\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/rounded-in-photoretrica-2.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/rounded-in-photoretrica-2-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/rounded-in-photoretrica-2-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O fogo tem um papel fundamental na estrutura\u00e7\u00e3o e na din\u00e2mica das comunidades de ecossistemas sav\u00e2nicos e campestres. Com o objetivo de melhorar o conhecimentos sobre o efeito do fogo da biodiversidade em ambientes sav\u00e2nicos do hemisf\u00e9rio Sul e auxiliar os tomadores de decis\u00e3o sobre as estrat\u00e9gias adequadas de manejo do fogo, pesquisadores do Peld Campos Rupestres da Serra do Cip\u00f3 e da Universidade da Nam\u00edbia (coordenado pelo prof. Ezequiel Fabiano) se uniram para entender o papel do fogo na biodiversidade das savanas do Brasil e da Nam\u00edbia.&nbsp; As duas redes de pesquisas ecol\u00f3gicas em longa dura\u00e7\u00e3o conseguiram a aprova\u00e7\u00e3o do projeto <em>\u201cCascading Long Term Effects of Fire on Savanna Biodiversity in the Southern Hemisphere, Brazil and Namibia\u201d<\/em> atrav\u00e9s do programa Bio-Bridge Initiative (BBI) do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), que visa facilitar a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica entre as Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) e seus Protocolos, nos termos do Artigo 18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">As coletas em ambos os pa\u00edses seguem protocolos similares para avaliar as respostas da vegeta\u00e7\u00e3o, solo e insetos aos diferentes regimes de fogo, realizar compara\u00e7\u00f5es de ferramentas para monitorar as flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e desenvolver pol\u00edticas e diretrizes sobre o manejo do fogo. A rede tamb\u00e9m pretende desenvolver um projeto mais amplo, a partir deste estudo, viabilizar maior forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos em experimentos de fogo em&nbsp; Makambu na Nam\u00edbia, inserir novas t\u00e9cnicas de amostragem, tecnologias e habilidades anal\u00edticas. O alcance destes objetivos ser\u00e1 de suma import\u00e2ncia no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de gerenciamento de inc\u00eandios em todo o mundo, que ainda hoje carece de uma base cient\u00edfica robusta e de pessoal adequadamente treinado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/image-47.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2177\" width=\"500\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Atividades de pesquisa sobre o impacto do fogo no campo rupestre.<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Como parte do interc\u00e2mbio de coopera\u00e7\u00e3o, o Prof. Ezequiel Fabiano em visita ao site de pesquisas, participou de um curso de campo sobre Ecologia do Cerrado para alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Programa de Ecologia, Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo da Vida Silvestre da UFMG e participou das atividades de pesquisa com a equipe brasileira sobre o impacto do fogo no campo rupestre e matas nebulares na Serra do Cip\u00f3. Em julho, ser\u00e1 a vez dos professores Geraldo Wilson Fernandes e Jos\u00e9 Eug\u00eanio Figueira visitarem os s\u00edtios de pesquisa na Nam\u00edbia para dar prosseguimento \u00e0s atividades cient\u00edficas. Durante a visita ao Brasil, a equipe se reuniu com o embaixador da Nam\u00edbia, Sr. Mbapeua Muvangua, para apresentar o projeto de pesquisas entre os dois pa\u00edses. Foram ainda pautas da conversa a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e alternativas para o fortalecimento da parceria na agricultura sustent\u00e1vel e na bioeconomia, desenvolvimento de programas de Cotutela e capacita\u00e7\u00e3o&nbsp; humana com interc\u00e2mbio de professores e alunos. A Universidade de Nam\u00edbia, por meio dos respectivos escrit\u00f3rios, envolver\u00e1 a Embaixada da Nam\u00edbia para fortalecer as rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O fogo tem um papel fundamental na estrutura\u00e7\u00e3o e na din\u00e2mica das comunidades de ecossistemas sav\u00e2nicos e campestres. Com o objetivo de melhorar o conhecimentos sobre o efeito do fogo da biodiversidade em ambientes sav\u00e2nicos do hemisf\u00e9rio Sul e auxiliar os tomadores de decis\u00e3o sobre as estrat\u00e9gias adequadas de manejo do fogo, pesquisadores do PELD Campos Rupestres da Serra do Cip\u00f3 e da Universidade da Nam\u00edbia (coordenado pelo prof. Ezequiel Fabiano) se uniram para entender o papel do fogo na biodiversidade das savanas do Brasil e da Nam\u00edbia.&nbsp; As duas redes de pesquisas ecol\u00f3gicas em longa dura\u00e7\u00e3o conseguiram a aprova\u00e7\u00e3o do projeto <em>\u201cCascading Long Term Effects of Fire on Savanna Biodiversity in the Southern Hemisphere, Brazil and Namibia\u201d<\/em> atrav\u00e9s do programa Bio-Bridge Initiative (BBI) do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), que visa facilitar a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica entre as Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) e seus Protocolos, nos termos do Artigo 18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">As coletas em ambos os pa\u00edses seguem protocolos similares para avaliar as respostas da vegeta\u00e7\u00e3o, solo e insetos aos diferentes regimes de fogo, realizar compara\u00e7\u00f5es de ferramentas para monitorar as flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e desenvolver pol\u00edticas e diretrizes sobre o manejo do fogo. A rede tamb\u00e9m pretende desenvolver um projeto mais amplo, a partir deste estudo, viabilizar maior forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos em experimentos de fogo em&nbsp; Makambu na Nam\u00edbia, inserir novas t\u00e9cnicas de amostragem, tecnologias e habilidades anal\u00edticas. O alcance destes objetivos ser\u00e1 de suma import\u00e2ncia no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de gerenciamento de inc\u00eandios em todo o mundo, que ainda hoje carece de uma base cient\u00edfica robusta e de pessoal adequadamente treinado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/image-52-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2281\" width=\"600\" height=\"450\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Equipe do PELD-CRSC e Universidade da Nam\u00edbia em visita \u00e0 Serra do Cip\u00f3<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Como parte do interc\u00e2mbio de coopera\u00e7\u00e3o, o Prof. Ezequiel Fabiano em visita ao site de pesquisas, participou de um curso de campo sobre Ecologia do Cerrado para alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Programa de Ecologia, Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo da Vida Silvestre da UFMG e participou das atividades de pesquisa com a equipe brasileira sobre o impacto do fogo no campo rupestre e matas nebulares na Serra do Cip\u00f3. Em julho, ser\u00e1 a vez dos professores Geraldo Wilson Fernandes e Jos\u00e9 Eug\u00eanio Figueira visitarem os s\u00edtios de pesquisa na Nam\u00edbia para dar prosseguimento \u00e0s atividades cient\u00edficas. Durante a visita ao Brasil, a equipe se reuniu com o embaixador da Nam\u00edbia, Sr. Mbapeua Muvangua, para apresentar o projeto de pesquisas entre os dois pa\u00edses. Foram ainda pautas da conversa a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e alternativas para o fortalecimento da parceria na agricultura sustent\u00e1vel e na bioeconomia, desenvolvimento de programas de Cotutela e capacita\u00e7\u00e3o&nbsp; humana com interc\u00e2mbio de professores e alunos. A Universidade de Nam\u00edbia, por meio dos respectivos escrit\u00f3rios, envolver\u00e1 a Embaixada da Nam\u00edbia para fortalecer as rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por:<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"380\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-14.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2204\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-14.png 400w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-14-300x285.png 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\" id=\"publica\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"130\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-7-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2254\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-7-1.png 860w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-7-1-300x45.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-7-1-768x116.png 768w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column has-background is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"background-color:#ffd873\">\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Arantes-Garcia et al. 2022. <em>Dryas iulia<\/em> (Lepidoptera, Nymphalidae) larval preference and performance on four sympatric Passiflora hosts. European Journal of Ecology 7:54-68. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.17161\/eurojecol.v7i1.13781\">https:\/\/doi.org\/10.17161\/eurojecol.v7i1.13781<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Belchior et al. 2022. A neotropical mistletoe influences herbivory of its host plant by driving changes in the associated insect community. The Science of Nature 109: 1-10. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00114-022-01798-6\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00114-022-01798-6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Caminha-Paiva et al. 2022. Floristic mosaics of the threatened Brazilian Campo Rupestre. Nature Conservation Research 7: 10-18. <a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.24189\/ncr.2022.004\">https:\/\/dx.doi.org\/10.24189\/ncr.2022.004<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">De Moura et al. 2022. Mycorrhiza fungi application as a successful tool for worldwide mine land restoration: Current state of knowledge and the way forward. Ecological Engineering 178: 106580. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ecoleng.2022.106580\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ecoleng.2022.106580<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Fernandes 2022. Irrigation and fertilization of <em>Chrysothamnus nauseosus<\/em> (Asteraceae) affect the attack and gall growth of <em>Rhopalomyia chrysothamni<\/em> (Cecidomyiidae). European Journal of Ecology 8. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.17161\/eurojecol.v8i1.15308\">https:\/\/doi.org\/10.17161\/eurojecol.v8i1.15308<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column has-background is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"background-color:#ffd873\">\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Fernandes et al. 2022. Deep capillary impact of a psyllid gall on its host ecophysiology, architecture and performance. Trees 1-14. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00468-022-02280-6\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00468-022-02280-6<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Medeiros et al. 2022. Can our current knowledge and practice allow ecological restoration in the Cerrado? Anais da Academia Brasileira de Ci\u00eancias 94. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/0001-3765202120200665\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/0001-3765202120200665<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Novais et al. 2022. Local environmental context determines the colonisation of leaf shelters by arthropods: an experimental study. Journal of Tropical Ecology 38: 118-126. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1017\/S0266467421000523\">https:\/\/doi.org\/10.1017\/S0266467421000523<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Pereira et al. 2022. Subtle structures with not\u2010so\u2010subtle functions: A data set of arthropod constructs and their host plants. Ecology 103:3639. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3639\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3639<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size wp-block-paragraph\">Ramos et al. 2022. Experimental manipulation of biotic and abiotic parameters changes the outcome of insect-plant interactions. Basic and Applied Ecology <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.baae.2022.04.002\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.baae.2022.04.002<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/peld.crsc\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"240\" src=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-13.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2267\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-13.png 850w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-13-300x85.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rounded-in-photoretrica-13-768x217.png 768w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto os sinais de alerta&nbsp;sobre o aquecimento global, que precisamos mudar para diminuir as nossas pegadas no planeta com urg\u00eancia,&nbsp;s\u00e3o&nbsp;apresentados&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-2131","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-peld-warming-boletins"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.9 - 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