{"id":3175,"date":"2024-05-02T19:25:20","date_gmt":"2024-05-02T19:25:20","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/?p=3175"},"modified":"2024-05-08T18:56:09","modified_gmt":"2024-05-08T18:56:09","slug":"um-raio-x-das-matas-atlanticas-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/um-raio-x-das-matas-atlanticas-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"Um raio X das Matas Atl\u00e2nticas do rio Doce"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Pesquisa refaz o caminho da lama e mapeia matas ciliares mais preservadas de Minas at\u00e9 o mar<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversas iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o da bacia do rio Doce est\u00e3o sendo desenvolvidas e implementadas desde o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco, em 2015, na cidade de Mariana (MG). Muitas empresas e institutos de pesquisa de todo pa\u00eds se dedicaram a desvendar as melhores pr\u00e1ticas para recuperar os solos, a qualidade da \u00e1gua e restaurar a fauna e flora impactadas, a fim de retornar para as comunidades atingidas e toda sociedade um ambiente recuperado.&nbsp;Um importante passo para isso foi dado esta semana, com a publica\u00e7\u00e3o de um mapeamento in\u00e9dito que fornece conhecimento para restaurar a vegeta\u00e7\u00e3o e promover a sociobiodiversidade na bacia do rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mapeamento das diferentes florestas e esp\u00e9cies de plantas que existem de Mariana at\u00e9 a foz do rio Doce \u00e9 requisito crucial para a restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. Desde 2017, dois anos ap\u00f3s o rompimento da barragem, cientistas liderados pela UFMG, Unimontes, UFES e UFLA trabalham em um raio X das esp\u00e9cies nativas da regi\u00e3o. Ap\u00f3s sete anos de pesquisa, a partir da uni\u00e3o de dados de dois projetos de pesquisa, o Biochronos e Restaura\u00e7\u00e3o do Rio Doce, o trabalho foi divulgado esta manh\u00e3, em um artigo que lista as esp\u00e9cies nativas mais frequentes presentes nas margens do rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande extens\u00e3o da \u00e1rea estudada, que compreende mais de 663 km de curso do rio, desde o epicentro do rompimento da barragem at\u00e9 o mar; bem como a diversidade significativa de esp\u00e9cies encontradas, os desafios impostos pela pandemia e as restri\u00e7\u00f5es de recursos fizeram com que o processo de mapeamento demandasse um tempo consider\u00e1vel para ser conclu\u00eddo. No entanto, a espera foi recompensada. Os resultados revelaram o que os pesquisadores j\u00e1 desconfiavam: existem m\u00faltiplas florestas ao longo do rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cDesde que partimos de Mariana, seguindo o rio, encontramos muitos tipos de florestas, cada uma com suas singularidades e com suas esp\u00e9cies \u00fanicas. Mostramos que n\u00e3o existe apenas um tipo de floresta ao longo do rio, mas que s\u00e3o v\u00e1rios tipos. Esse resultado tem um amplo significado aplicado, pois indica que os projetos de restaura\u00e7\u00e3o precisam reproduzir estes m\u00faltiplos ambientes, com um grupo robusto de esp\u00e9cies.\u201d<\/em>, afirma&nbsp;<strong>Let\u00edcia Ramos<\/strong>, do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da UFMG, primeira autora do artigo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As m\u00faltiplas florestas ao longo do rio<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"585\" src=\"http:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-1024x585.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3176\" style=\"width:807px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-1024x585.png 1024w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-300x171.png 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-768x438.png 768w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-1536x877.png 1536w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/New-graphical-abstract-02-2048x1169.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">      <sub>Vegeta\u00e7\u00e3o se diferencia em at\u00e9 99% de um ponto a outro nas margens do rio Doce. (Mapa: Kenedy-Siqueira, W.)<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As matas que margeiam o rio Doce, de Minas Gerais at\u00e9 o mar do Esp\u00edrito Santo, regulam os fluxos de \u00e1gua e garantem a seguran\u00e7a h\u00eddrica para milh\u00f5es de pessoas. O estudo revelou que elas se diferenciam em at\u00e9 99% de um ponto a outro. Isso significa que a cada setor do rio, que percorre 11 munic\u00edpios, foram encontradas matas completamente diferentes umas das outras, com apenas 1% das esp\u00e9cies compartilhadas. Uma elevada diversidade de esp\u00e9cies adultas ou ainda em mudas foi encontrada exclusivamente em apenas um local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa avaliou a qualidade do solo, da composi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e da paisagem, fornecendo uma s\u00edntese abrangente sobre as matas ao longo do rio. Um verdadeiro raio X que ajuda a compreender como restaurar n\u00e3o apenas o rio Doce, mas toda a bacia, e um alerta para a necessidade de prote\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o desses m\u00faltiplos ambientes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cFinalmente temos ecossistemas de refer\u00eancia definidos que servem de base para projetos de restaura\u00e7\u00e3o. Os resultados desta pesquisa podem reduzir significativamente o risco de plantarmos um tipo \u00fanico de floresta do in\u00edcio ao fim do rio e, assim, mitigar parcialmente os impactos causados pelo rompimento da barragem de minera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>, comenta <strong>Geraldo Fernandes<\/strong>, pesquisador da UFMG e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O segredo est\u00e1 nos solos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"402\" src=\"http:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-1024x402.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3177\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-1024x402.jpeg 1024w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-300x118.jpeg 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-768x302.jpeg 768w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-1536x603.jpeg 1536w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Fotos-Joao-2048x804.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">         <sub>Solos das margens do rio orquestram a diversidade das matas por toda a bacia. (Foto: Jo\u00e3o Carlos Figueiredo)<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O solo \u00e9 um dos principais fatores que orquestra quais esp\u00e9cies podem viver aqui ou ali, quais esp\u00e9cies conseguem ocorrer em todos lugares, o quanto crescem e se conseguir\u00e3o se reproduzir. A diversidade entre os setores do rio Doce mostrou a enorme relev\u00e2ncia dos solos em filtrar esp\u00e9cies que sobrevivem em circunst\u00e2ncias opostas. Enquanto um conjunto de esp\u00e9cies s\u00e3o mais adaptadas aos solos mais f\u00e9rteis, outras s\u00e3o mais adaptadas a solos mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse gradiente de fertilidade do solo, conhecido pelos cientistas, destaca a complexidade dos projetos de restaura\u00e7\u00e3o em toda a bacia do rio Doce. Aliado ao mapeamento da vegeta\u00e7\u00e3o, esse conhecimento dos solos \u00e9 fundamental para elaborar estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o que possam de fato respeitar as caracter\u00edsticas particulares de cada lugar, sem o que os cientistas chamam de \u201cremendos no tecido ambiental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Import\u00e2ncia mundial da Mata Atl\u00e2ntica<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2023-02-02-at-11.36.08-AM-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3178\" srcset=\"https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2023-02-02-at-11.36.08-AM-1.jpeg 1024w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2023-02-02-at-11.36.08-AM-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2023-02-02-at-11.36.08-AM-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/sites.icb.ufmg.br\/leeb\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2023-02-02-at-11.36.08-AM-1-720x405.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">        <sub>Fragmenta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um grande problema ambiental da regi\u00e3o. (Foto: Geraldo Fernandes\/UFMG)<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo impactam em algo ainda mais amplo do que a recupera\u00e7\u00e3o da bacia do rio Doce. A fragmenta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um grande problema ambiental na regi\u00e3o. Suas \u00e1reas florestais preservadas s\u00e3o hoje ilhas isoladas em meio a \u00e1reas degradadas por diferentes usos do solo. Esfor\u00e7os para restaurar e retomar a conectividade dos ambientes preservados s\u00e3o fundamentais para servir como corredores ecol\u00f3gicos, que permitam a movimenta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e reduzam o risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo fragmentada, a rica biodiversidade desse bioma resiste, mas requer esfor\u00e7os e pol\u00edticas cont\u00ednuas de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o para salvaguardar os seus ativos ecol\u00f3gicos \u00fanicos. Os esfor\u00e7os deste estudo est\u00e3o alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 3, para a sa\u00fade e bem-estar; 6, para acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento; 13, para mitigar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais; 14, para preservar a vida na \u00e1gua; e 15, para preservar a vida na terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi financiada pela FAPEMIG\/Renova e apoiada pelo Centro de Conhecimento em Biodiversidade (INCT\/CNPq).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-align-center wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0048969724028675?dgcid=coauthor\">Acesse o artigo<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa refaz o caminho da lama e mapeia matas ciliares mais preservadas de Minas at\u00e9 o mar Diversas iniciativas de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[21,20,15,24,14,36],"tags":[],"class_list":["post-3175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-biochronos","category-biodiversidade","category-divulgacao-cientifica","category-restauracao","category-restauracao-rio-doce"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.9 - 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