Abelhas Brasileiras

As abelhas somam cerca de 20 mil espécies globalmente, classificadas na superfamília Apoidea, que inclui 7 famílias. Podem ser solitárias, parasitas, semi-sociais ou eussociais (verdadeiramente sociais). No Brasil são conhecidas mais de 1600 espécies de abelhas, das quais cerca de mil são solitárias, 150 parasitas, 200 semi-sociais e 300 eussociais (Novy, com. pessoal). Na maioria das espécies de abelhas solitárias as fêmeas, após serem fecundadas, constroem sozinhas as células de cria, estocam alimento dentro dessas estruturas e após a postura dos ovos morrem antes da prole nascer. Já nas espécies semi-sociais, as fêmeas convivem com a prole, sendo comum o compartilhamento do mesmo ninho pelas irmãs que ali nasceram, por exemplo, bem como variadas formas de divisão do trabalho. Nas espécies eussociais ocorre, além da divisão de trabalho, uma divisão reprodutiva, onde uma fêmea bota ovos (a “rainha”), convivendo assim com todas as futuras gerações daquela colmeia.

Todas as espécies de abelhas brasileiras estão representadas na imagem abaixo, onde a largura de cada “fatia” e o tamanho da abelha representante são proporcionais ao número de espécies de cada grupo. A subtribo Meliponina está destacada em vermelho. Quanto ao comportamento, os grupos estão classificados pela cor externa do círculo: vermelho, eussociais; laranja, desde espécies solitárias a eussociais, passando por diferentes níveis e tipos de comportamento social; azul, solitárias; rosa, parasitas. Para gerar a imagem abaixo com outro esquema de cores, clique aqui. Mais informações sobre cada um dos grupos pode ser encontrada nesta tabela.

Segundo Silveira et al (2002), a tribo Apini é sinônimo de “abelhas corbiculadas”, um grupo monofilético – grupo de todas as espécies descendentes de um mesmo ancestral – que inclui a maioria das abelhas eussociais e contém as subtribos Apina, Bombina, Euglossina e Meliponina. Essas últimas, popularmente conhecidas como “abelhas-indígenas-sem-ferrão”, são importantes polinizadoras da flora brasileira (incluindo espécies cultivadas), dada a sua riqueza de espécies e abundância, e também por sua atividade durante todo o ano, ao contrário das abelhas solitárias.

O cérebro das abelhas mede cerca de 1 mm³. Este minicérebro, apesar de diminuto, é capaz de muita coisa e guarda segredos intrigantes. Assim como o nosso cérebro, o minicérebro da abelha possui regiões especializadas em processar diferentes tipos de informação.

Graças a essas capacidades sensoriais e cognitivas, as abelhas possuem um rico repertório comportamental. Além de se organizarem em verdadeiras sociedades, elas também possuem alguns sentidos especiais que nós não temos. Elas enxergam a luz ultravioleta refletida por muitas flores como, por exemplo, o girassol. As abelhas são capazes de ver e se orientar pelo padrão de luz polarizada presente no céu e também conseguem perceber o campo magnético da terra, usando ambos para se orientar. Além do campo magnético, as abelhas são capazes de detectar os campos elétricos das flores, e usam isso para escolher flores com mais recursos.

Mas infelizmente as abelhas estão desaparecendo.

As abelhas se alimentam dos recursos florais das plantas nativas e cultivadas. Por coletarem esses recursos, as abelhas são consideradas os principais polinizadores, e portanto responsáveis pela maior parte da produção dos frutos que consumimos, como maçã e laranja, e também o tomate, berinjela, melancia, entre outros. No entanto em muitos cultivos agrícolas convencionais estão sendo usados diariamente inseticidas para combater insetos pragas. Esses inseticidas são, em sua maioria, neurotóxicos. Por isso, afetam o bom funcionamento do cérebro das abelhas, podendo causar desorientação e morte.

Parte das informações contidas aqui estão resumidas neste folder.

Este material foi produzido pela equipe do projeto
“Compreendendo a interação planta-polinizador no Cerrado com DNA-metabarcoding”
financiado pelo Instituto Serrapilheira para ser utilizado em exposições educativas.

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