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Fernanda Gondim

Sou integrante do projeto E-flora da ESEC do Seridó e realizei meu mestrado com as trepadeiras da unidade, e ter trabalhado com a vegetação do Seridó foi muito enriquecedor, tanto pelo aprendizado na botânica como pelo simbolismo da região para os potiguares e para mim. Tenho escutado sobre a ESEC tanto por colegas da área e principalmente pelo meu pai, quando desde pequena ouvia suas histórias sobre um local lá no Seridó no qual ele havia estudado durante sua graduação. Durante o mestrado tive a oportunidade conhecer a ESEC e poder ver elementos que até então só conhecia das suas memórias: A serra verde, o açude, a paisagem e até o juazeiro em frente ao alojamento e o canto das várias aves ao amanhecer.

A ESEC me transmite uma sensação de acolhimento, tanto pela natureza em volta como pelas pessoas que trabalham na unidade. Embora eu tivesse que percorrer as trilhas, um lugar que me marcou muito na ESEC fica curiosamente na sede, no alpendre em frente ao açude: A vista da vegetação e da lâmina d'água, emoldurada pelas serras ao fundo é fantástica! Nos faz pensar em como seria incrível ter essa mesma vista no futuro e como cada visitante veria essa mesma cena da forma que vejo, ao parar para descansar naquele local.

ESEC do Seridó é uma UC importantíssima para todos que querem conhecer a diversidade da Caatinga e todas as suas nuances e particularidades. Cada pedacinho da Caatinga do Seridó é único e ter a oportunidade de conhecer a natureza da unidade só fortalece a visão de que a Caatinga é um bioma complexo, rico e encantador, bem diferente da concepção que normalmente se tem da região de do próprio bioma.

[Fernanda Gondim Lambert Moreira. Bióloga e integrante do projeto ‘Cyber-Flora da Estação Ecológica do Seridó: compreendendo a diversidade e seus usos.’]

Letícia Moreira

Faço parte do Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais Bioativos (PNBio/UFRN) que estuda os metabólitos secundários de plantas da Caatinga e na ESEC encontramos espécies vegetais que são determinantes para nossos projetos de pesquisa. É bem ali que refletimos a imensidão da Caatinga e como ela é ainda pouco conservada e preservada. A ESEC Seridó possui instalações e infraestrutura adequadas para realizar a pesquisa em campo e a riqueza de fauna e flora são os maiores atrativos para ir conhecer a Estação Ecológica, mas acredito que há também outros elementos que a fazem especial. O lugar que gosto na UC é a vista que temos do mirante, é um importante lugar para quem gosta de fotografar aves e para quem gosta de admirar a paisagem da Caatinga.

[Letícia Gondim Lambert Moreira, Farmacêutica e doutoranda em Ciências Farmacêuticas (PPGCF/UFRN)]

Luiza de Paula

Visitei somente uma vez a ESEC-Seridó e foi para mim uma grande surpresa. Essa Unidade de Conservação (UC) abriu meus olhos para a beleza da vegetação da Caatinga, que eu conhecia somente pelos livros. Aqueles diversos arquétipos de “vegetação pobre“, “seca” e “árida”, que traziam um sentimento de bioma menos importante, e que de certa forma permeavam meu mundo até então, desapareceram definitivamente. A Caatinga é maravilhosa, ela desperta um sentimento de renascimento, é incrível contrastar a vegetação no período seco e chuvoso, nem dá para acreditar. As plantas são coloridas e perfeitamente adaptadas para sobreviver em condições adversas. Se é que podemos chamar de “condições adversas”, já que para as plantas que existem ali não existe nada de estranho, elas possuem estratégias lindas para lidar com altas temperaturas, poucas chuvas e alta radiação solar. Entre essas estratégias estão os caules que fazem fotossíntese, as árvores que perdem suas folhas durante a estação desfavorável e a produção de cera que reveste folhas para evitar que elas percam água. A ESEC Seridó despertou em mim a beleza dos contrastes da Caatinga. Meu local de preferência foi a Trilha da Serra. No topo de um morro, avistamos diversas fitofisionomias, ou seja, vimos vegetações abertas dominadas por gramíneas, vegetações fechadas com diversos arbustos espinhentos, afloramentos rochosos e até mesmo uma lagoa com vegetação aquática. A UC é um grande mosaico vegetacional, com uma flora muito rica e diversa. Vale a pena visitar a ESEC Seridó durante as estações seca e chuvosa, visitantes e pesquisadores vão se impressionar com tamanha “metamorfose” de paisagens!

[Luiza de Paula, Botânica, Pós-doc no projeto “Cyber-Flora da Estação Ecológica do Seridó: compreendendo a diversidade e seus usos”]

Mauricio Nascimento

Por pertencimento à região do Seridó, desde cedo prestava atenção na diferença de paisagem entre o que via e o que me era apresentado. Cresci aprendendo que a Caatinga é um bioma seco, estático, espinhento, inútil, sem vida... cabível até o clichê acadêmico redutível de “vegetação hiperxerófila com presença de cactos e bromélias”. Na ESEC-Seridó pude acompanhar de perto um bioma dinâmico, colorido, cheiroso, utilíssimo, o bioma mais vivo que já conheci, completamente diferente da visão que aprendi de forma passiva.

Difícil definir meu lugar predileto na ESEC, me surpreendi por todos os cantos que andei na UC. Ambientes tão destoantes, mas tão próximos, definindo pequenos mosaicos de floras, hábitos, portes e estratégias. Caminhos diferentes, aparentemente semelhantes em ambientes, mas ainda sim distintos, cada um com suas particularidades. Gostaria que todos tivessem o prazer de conhecer e entender a beleza da diversidade nos dois períodos, chuvoso e seco, que determinam a dinâmica de um bioma tão vivo como é a Caatinga nessa ilha de preservação que é a ESEC-Seridó.

[Mauricio B. do Nascimento, Graduando no curso de Engenharia Florestal e integrante do projeto ‘Cyber-Flora da Estação Ecológica do Seridó: compreendendo a diversidade e seus usos.’]

Octávio Moreira

O meu primeiro contato com a ESEC do Seridó se deu a partir de um curso de Extensão realizado pela UFRN com foco em Reconhecimento pedológico de fotointerpretação e um dos integrantes do curso era o diretor da unidade na época, Alvamar Queiroz que, posteriormente, veio a ser o superintendente do IBAMA no RN. Como eu estava concluindo o curso de Geografia, me interessei em realizar o trabalho de conclusão de curso na unidade (Contribuição ao Zoneamento da ESEC: Estudos pedológico, fotogeográfico e hidrológico), o qual iniciei a pesquisa no início do ano de 1990.

Sendo da região do Seridó, tinha muita familiaridade com o ambiente da ESEC e escolhi a área da Serra Verde para servir de ponto de observação para os registros da minha pesquisa. Outro local era a Lagoa do Junco, situada no extremo sul da estação. Ao redor dessa lagoa realizei o inventário de árvores nativas como o Angicos, Catingueira, Quixabeira e Mulungu. Nessa época, não existiam celulares nem notebooks ou GPS portáteis. Os levantamentos de pesquisa eram feitos através de anotações em cadernos e na máquina fotográfica analógica.

Quando soube que minha filha iria realizar sua pesquisa do mestrado na unidade fiquei muito feliz, pois ela teria contato com a mesma área em que realizei o meu trabalho. É muito bom saber que os pesquisadores de hoje valorizam e seguem conhecendo e descobrindo sobre a natureza da ESEC e que eu e ela tivemos a oportunidade de fazer parte disso. Todos os pesquisadores que escolhem a Caatinga para realizar os seus estudos devem visitar a ESEC, que ao longo dos anos vem preservando a biodiversidade original da região do Seridó e é uma ótima experiência vivida como a que passei há 30 anos atrás e que ainda guardo na memória.

[Octávio Carvalho de Souza Moreira, Geógrafo e servidor público.]

Paulo Medeiros

Trabalho na Estação Ecológica do Seridó, no bioma Caatinga que está ameaçado, o objetivo da Estação Ecológica é a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas, aqui é a casa dos pesquisadores, que faz ciência e muda o presente e o futuro ligado com a natureza. Tenho a missão de proteger as áreas naturais e a biodiversidade da Estação Ecológica do Seridó (ESEC Seridó) na qual me orgulho muito. Tento mostrar a importância da UC para comunidade do entorno, pessoas fantásticas e guerreiras. A ESEC Seridó é de uma inigualável beleza ambiental de fauna e flora, principalmente de cima da Serra Verde, onde visualizamos toda UC.

[Paulo Roberto Fernandes de Medeiros, Chefe da Estação Ecológica do Seridó, ICMBio]

Víctor de Paiva

Sempre fui apaixonado pela natureza e sempre tive vontade de estar dentro de áreas preservadas. Quando surgiu a oportunidade de estudar a flora de uma unidade de conservação tão antiga no RN e com uma formação vegetal totalmente nova pra mim, que cresci nos tabuleiros da Mata Atlântica, senti-me empolgado e aceitei na mesma hora o desafio. A ESEC do Seridó foi como um mundo novo a ser descoberto: a cada passo, uma novidade; atrás de cada arbusto, um mundo escondido. Deparei-me com uma diversidade de ecossistemas inimagináveis, de florestas a campos, de afloramentos rochosos a áreas inundadas. Nada comparável à descrição monótona e subestimada nos livros e artigos.

Só quem viveu a Caatinga em todas as suas fases tem noção do que é esse ecossistema e do quão encantador e desafiador ele pode se apresentar. O mesmo lugar que enche os olhos no horizonte, potencializa a fadiga de uma caminhada sob um sol escaldante. Onde o perigo pode estar escondido entre as pedras no chão ou em nuvens tempestuosas no céu. A sazonalidade do clima, marcada pela estiagem de 7 a 8 meses ao ano, cria uma explosão de vida durante os meses chuvoso, as trilhas são tomadas por insetos das mais variadas formas e cores. Caranguejeiras gigantes surgem das tocas, enquanto os tatus-peba cavam uma outra após aproveitarem o banquete. A água brotava do solo encharcado e escorria em riachos apressados, era tanta de uma só vez que formavam pequenas cachoeiras e muitos brejos. Todas as noites, corujas e morcegos tomam espaço aéreo, enquanto periquitos voando às dezenas colorem o céu de dia. Foram tantos pássaros, que só faltou encontrar as tais emas que um dia foram reintroduzidas.

Tive ainda o prazer de conhecer Embira (nome dado por mim e meus amigos), uma raposinha órfã que foi cuidada pelos funcionários da estação até que um dia seguiu seu próprio caminho dentro da unidade. Jamais esquecerei do dia que ela nos acompanhou numa trilha e voltou coberta de prega-prega, ou ainda de quando, enquanto descansava na estrada, avistei um rabo listrado atrás de uma pedra, claramente denunciando um guaxinim que tentava não ser visto.

A flora dá um show a parte, a cada estação do ano, uma explosão de cores e odores, sejam pelas alvas flores dos Pereiros no verão, ou as arroxeadas flores dos Pau-d’arcos no inverno. Cada época tem os seus mimos, até mesmo na primavera, quando as últimas árvores perdem as folhas e parece estar tudo sem vida, olhando com atenção é possível notar a algazarra de abelhas aproveitando o néctar das Oiticicas.

A ESEC foi pra mim um local de crescimento, foi onde aprendi e evolui como pessoa e profissional. Ninguém é o mesmo após um período de imersão total nesse refúgio de vida. Sinto que, após 3 anos visitando a Estação, começo a conhecer uma pequena fração do que é o sertão seridoense.

[Víctor de Paiva, Graduando no curso de Engenharia Florestal e integrante do projeto ‘Cyber-Flora da Estação Ecológica do Seridó: compreendendo a diversidade e seus usos.’]