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Laboratório Neurobioquímica – Universidade Federal de Minas Gerais

Laboratório de Neurobioquímica

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O esporte e os desafios da segurança neurológica: a proibição do cabeceio em jogadas jovens

O mundo dos esportes desempenha um papel cada vez mais significativo em nossas vidas, seja como uma prática esportiva regular, um passatempo adorado ou parte do nosso desejo por hábitos mais saudáveis e uma vida ativa. Além disso, o esporte também é consumido como conteúdo cultural por meio de diversos meios de comunicação. No entanto, é importante reconhecer que alguns esportes, devido à sua natureza de alto impacto, podem trazer consigo riscos de lesões, especialmente aquelas que afetam o sistema neurológico.

Neste contexto, diversos especialistas têm alertado sobre o risco de lesões neurológicas decorrentes de traumas na cabeça, uma preocupação que tem ganhado destaque na sociedade moderna. Essas lesões variam desde as mais comuns e imediatas, como concussões após impactos, até aquelas que podem se manifestar tardiamente e estar associadas ao declínio cognitivo e à demência, como a Encefalopatia Traumática Crônica (CTE), um tópico de discussão que se destacou no Congresso da American Neurological Association em 2018.

O futebol americano é um exemplo emblemático de esporte de alto impacto no qual os atletas frequentemente se veem expostos a bloqueios e colisões de intensidades variadas e, como resultado, enfrentam uma ampla gama de lesões. Estatísticas revelam que é o esporte com a maior incidência de concussões entre todos, com milhares de ex-jogadores enfrentando consequências de longo prazo devido a essas lesões e, consequentemente, buscando responsabilização, inclusive processando a National Football League (NFL)* por alegada negligência.

Diante desse cenário preocupante, a International Football Association Board, o órgão regulador do futebol nos Estados Unidos, em 8 de agosto de 2022, emitiu um comunicado que proíbe jogadores menores de 12 anos de idade de cabecear a bola intencionalmente durante as partidas. Essa nova determinação representa uma medida preventiva resultante de pesquisas e recomendações médicas sobre os riscos de desenvolvimento de doenças neurológicas futuras devido ao impacto repetitivo na cabeça durante a prática esportiva.

Essa proibição do cabeceio em jogadores jovens é um passo importante em direção à proteção da saúde neurológica dos praticantes de esportes, especialmente aqueles que estão em fase de desenvolvimento. Ela reflete o compromisso contínuo em equilibrar a paixão pelo esporte com a segurança e o bem-estar dos atletas, preparando um futuro no qual os jovens possam desfrutar do esporte com tranquilidade e sem preocupações com riscos à sua saúde cerebral.

*A NFL é a principal liga profissional de futebol americano nos Estados Unidos.

Concussão: é qualquer lesão no cérebro que perturba seu funcionamento de forma temporária ou permanente. Os abalos são normalmente causados por um golpe ou choque na cabeça.

CTE: é um distúrbio neurodegenerativo que se acredita estar associado à exposição a traumatismos cranianos repetitivos.


Referências:

 EDWARDS, Toby et al. A narrative review of the physical demands and injury incidence in American football: application of current knowledge and practices in workload management. Sports medicine, Auckland, v. 48, n. 1, p. 45-55, 2018.

JILDEH, Toufic R. et al. Effect of concussions on the performance of running backs and wide receivers in the National Football League. The American Journal of Sports Medicine, Thousand Oaks-CA, v. 47, n. 11, p. 2717-2722, 2019.

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